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quinta-feira, 24 de julho de 2014

O meu primeiro Nicho: Imperial Oppoponax Les Néréides


Imperial Oppoponax Les Néréides. O rei do meu armário

A última mesa redonda entre os Blogs (postada no dia 15) acabei perdendo e não postei. O tema girou em "perfumes que te aquecem no inverno". Certamente um dos que incluiria na lista é a belezura ali acima. 


Minha expressão ao senti-lo
Mas o querido tem história até chegar no meu armário. Idos de 2010, verão, Orkut (ah, nunca esquecerei). Realizei uma troca com a Li, do Parfums et Poésie  e na caixinha veio várias amostras responsáveis pela minha gana por perfumes difíceis. Entre elas estavam vários descontinuados (que guardo como relíquias afim de um dia resenhar) e ele. Oppoponax. 


Não preciso nem dizer que caí pra trás quando o conteúdo daquele pequeno flaconete contaminou os meus receptores olfativos. Meus sais, eu PRECISAVA ter o perfume.

Cartinha escrita no punho da First in Fragrance. 
Os problemas estavam no fato desta marca não ser vendida na Terra Brasilis além de ser um pouco onerosa e ser vendida em somente algumas lojas internacionais. Pois a First in Fragrance, uma loja alemã foi a minha escolhida. E gente, todos sabem da eficiência alemã. Certamente voltarei à comprar por lá.

Oppoponax. Sou feioso
mas cheiroso
Mas vamos ao perfume. Opoponax (quando o comprei, ainda se chamava Imperial Opoponax) é um perfume de uma casa que trabalha mais com joalheria do que propriamente perfumes,  Les Néréides. Foi criada em Nice, na França em 1980 por Pasquale e Enzo Amaddeo (que, curiosamente, tem origem italiana). Oppoponax é uma ode à essa resina, também conhecida como Mirra Doce. Farei um post falando somente dela porque amo essa nota em perfumes. Aliás, vamos às notinhas dele:

Cítricos, sândalo, âmbar, baunilha, Benjoim, Âmbar.

Sem pirâmide, sem muitos detalhes, nebulosidade soprando aos ler suas descrições. Tudo o que uma escorpiana ama. E outro ponto de amor é o fato de não haver flores nele. 

Sim, eu gosto de flores, inclusive adoro vários florais. Mas quer me ver de queixo roçando o piso e com os joelhos a balançar, me dá um perfume baseado em resinas, madeiras e especiarias. E sem flores. Gaultier² não me deixa mentir (resenha em breve).

Imersão:

Idade média. Igreja suntuosa, pé alto, muitas esculturas santuárias em madeira. Na penumbra a luz do dia entra sinuosa pelos vitrais detalhados. Dia de temperatura quente. Lá dentro, no entanto, mantem-se o frio suntuoso e espiritual que habita tais construções. Não há pessoas aqui, onde a mistura de pele, suor e movimento sujariam o aroma principal. 



Paços largos ecoam pelas pilastras, a fumaça segue o vulto que carrega o turíbulo repleto de incenso a fumegar. Fumaça doce, incensada, celestial. O ambiente pode ser frio mas o aroma aquece de imediato, acalenta, acalma, transcende. 

Pense no cheiro da madeira, ainda jovem e na fumaça adocicada do turíbulo.

Esse é o Imperial Oppoponax. Há quem diga que o verdadeiro aroma de igreja existe em Incense Avignon Comme des Garsons. Como não o conheço ainda (alguma alma caridosa me cede um decant micro?), meu aroma de Igreja continua sendo o Opoponax.

Imagino que devas estar pensando que é datado, cheiro de mofo, de papéis guardados. Não, lonnnnge disso. Não há talco, não há civeta nem tuberosas, nem o verdadeiro incenso tão presente em perfumes de outros carnavais. Aliás, acredito que todos deveriam ter contato com tal perfume pois é completamente compartilhável.

A saída é um fiapo cítrico de laranja. Mas notas não especificam qual cítrico seria, eu sinto laranja. Suculenta, cortada, escorrendo suco. Mas é só nos segundos iniciais. Logo depois temos o Benjoim (que também é uma resina que dá um aspecto de baunilha incensada nos perfumes, uma de minhas notas prediletas) bailando com a baunilha e o oppoponax em toda a evolução do perfume. O trio é adocicado. O âmbar se mantém presente dando aquele ar mais austero avec sensual e o sândalo "amanteiga" com sua característica de madeira leitosa e suave.  Complicado destrinchá-lo, as notas são bem amarradas e não se destacam uma a uma.

É um perfume quente, defumado, doce, intenso, nebuloso. E também carinhoso. O antigo hibridizando o futuro. 

Sabe quem lembra ele? De loonnge? O Obsession de Calvin Klein, o Gaultier², Joop Le Bain. Todos quentes, resinosos e adocicados. Claro, cada um com suas característica sespecífica, mas sentariam tranquilamente na mesma mesa do restaurante para bebericar um vinho. 

Se puder, experimente. Uma palavra: transcedental. 

Bjuxxx de K-Pax.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Terre d´Hermes - Hermes







Desde o início do Blog, entre configurações e busca sobre assuntos a serem abordados, acabei por não fazer nenhuma resenha nova. Arquivos com resenhas mais antigas aguardam sua estreia por aqui. Fazendo o link com a família dos Amadeirados Especiados, resolvi que valia muto uma resenha de perfume que faz jus ao próprio nome. 

Terrinha da Hermes "Mobain", não é para qualquer um. Conheci esse poderoso devido à uma amostra que a Dâmaris, do Village Beaute  me passou (aliás, muitas amostras!!!!! Nem sei como agradecer!).

O nome do perfume e a descrição de suas notas me remetiam à um amadeirado com um patchouli terroso, acento de vetiver e saída cítrica. De fato, ele se mostra assim na pele masculina, pelos menos em quem testei e na opinião dos homens que o usam, com pequenas variações.

Mas..e na pele feminina? Uma das notinhas de sua composição estão entre as minhas amadas e que normalmente se acentua, atropela todo o resto tal como cabra alpinista para rapidamente chegar ao topo e brilhar. Praticamente uma das notas mais "aparecidas" entre as que sobressaem comigo.

Bem, vamos à pirâmide

Saída: Laranja, Toranja
Corpo: Pimenta, Pelargonio (é uma flor)
Fundo: Patchouli, Cedro, Vetiver, Benjoim

Quem me conhece a mais tempo sabe muito bem de qual nota falo. Já Já chego nela. 

Imersão: 

Imagine um escritório austero, com móveis em entalhes tradicionais de aspecto vintage, sério, madeiras recobrindo as paredes e teto. Esculturas que transcendem requinte, firmeza. 

Sobre a mesa, um pote de vidro simples ostenta um pout-porri de ervas, pimentas e frutas secas como laranja e limão.


 Você observa a janela que se abre para um dia frio e ensolarado. A brisa sopra levemente, trazendo o aroma de madeira escura, levemente mentolada dos cedros que estão no terreno adjunto. Ao lado do pote de vidro há uma caixa aberta de charutos, onde o aroma de tabaco achocolatado ainda não queimado desprende com delicadeza, quase como mirra doce. 




Ahh, blog é uma delícia por isso! Posso encontrar imagens para deixar a imersão mais real. 

Terre d´Hermes é essencialmente masculino, mas nem por isso delicioso de ser sentido em uma pele feminina. A saída é de madeira levemente mofada, esfumaçada,  algo mentolada. Vetiver, que lindo vetiver!!! A laranja aqui não se apresenta suculenta ou recém cortada. O acento é mais adocicado e intimista, exatamente como laranjas secas. E essa laranja é salpicada de pimenta branca raladinha na hora (é menos intensa e aromática que a preta, não "espeta" o nariz como esta, mas ainda muito presente). Essa mistura de vetiver-laranja seca e pimenta me lembra, bemmm de longe do aspecto levemente sujinho do cominho. Mas só senti esse detalhe pela terceira vez que provei e observei (estou testando a 3 dias). 

A madeira de cedro acompanha toda a evolução acentuando a virilidade, mas não atabalhoadamente. Está mais como a manjedoura das outras notas. Ante à tantas notas aromáticas, não percebo um patchouli gritante. Vem mais sutil, equilibrado. Aliás, tudo em Terre d´Hermes remete ao equilíbrio.  

E...sabem a notinha que citei lá em cima, a abelhuda aparecida que adora sapatear sobre as outras, NA MINHA pele?

Benjoim. É um óleo extraído do tronco da árvore Styrax como resposta à uma agressão (assim como a Seringueira produz o látex). O aroma dele?? Madeira com forte acentuo de baunilha. Madeira doce, intensa, levemente incensada.
Benjoim
Quando eu o provei pela primeira vez comentei nos grupos de perfume do facebook que ele havia se tornado levemente adocicado, nada masculino demais, mesmo com as outras notas em dominância. E todas as opiniões foram unânimes: não é perfume para mulher. Pois é o benjoim que domesticou esse legítimo representante dos perfumes masculinos por excelência. Terre d´Hermes é para o século XXI o que o Azarro, Kouros e One Man Show foram para os anos 80. É cromossomo XY certamente, mas como todo perfume moderno, pode transitar por outros lados. 



Fontes: www.fragrantica.com; http://www.tabacoshop.com.br/;  ellisweetdesigner.blogspot.com