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quinta-feira, 1 de maio de 2014

Psicodelizando com Karma, Lush


Hoje não iria sair resenha nenhuma, não estava sentindo inspiração para escrever algo digno de nota. É, sou dessas.

Conheci Karma somente hoje mas sei da sua fama a muito tempo. Categorizado como diferente e único, sempre tive curiosidade nele. Aliás, na Lush, marca de cosméticos do Reino Unido conhecida pela exuberância, minimalismo, eco-friendly e contra testes em animais. 

Novamente, quem me cedeu amostra dele foi a Cirlei Inn (obrigadíssima!!!). Já provou um perfume e após colocá-lo na pele faz esta expressão aqui?
zoinho arregalado
Classificado como cítrico aromático, compartilhável, tem as notas:
Saída: laranja, lavanda, citronela
Corpo: pinheiro, limão siciliano, cassis
fundo: patchouli, resina de abeto, elemi, canela

A historinha hoje vai ser um pouco psicodélica, já aviso.

Você está em uma competição. Campo aberto, muitos pinheiros ao redor. Pronto? É dada a largada, você corre e mergulha em uma piscina repleta daqueles limpadores de limão que utilizamos na faxina de casa. E dos bons, cheiro refrescante de lima-limão.  


Imagine se fossem menores e azuis
Sai desta piscina e ainda molhado entra em outra, mas agora transbordando de jujubas de anis, aquelas azuis.  Sai com certa dificuldade e imagina que deve estar parecido com aquele homem da capa de um dos álbuns do Pink Floyd. Mas precisa correr!


À sua frente se materializam grandes potes acrílicos repletos de sabonetes brancos. Você Agarra dois deles e se dirige para onde estão os pinheiros. Esfrega o sabonete no tronco dos mesmos. 

Terminada a tarefa, observa uma cama repleta de ervas, patchouli predominando e dando aquela aura hippie dos anos 70. Se joga nela e ali relaxa deixando-se inebriar pelos aromas à sua roda e também na situação escalafobética que acabou de passar.

Meio sem pé nem cabeça, mas ele me fez sentir assim! Um dos perfumes mais originais que já tive contato. O fato de ter me surpreendido foi que dificilmente gosto de cítricos, ainda mais com aquela pegada de pinho. Mas Karma é diferente. Estranho. Exótico. Uma viagem olfativa onde você se confunde com o próprio aroma.

Não é doce, apenas a saída me remeteu ao cheiro das jujubas de anis. Seria da mistura de suas notas, do cassis? Não sei dizer. Sua evolução é vem "pinhosa", citronela bem presente. Sinto mais limão que propriamente laranja. A canela, que normalmente gosto muito não percebi de todo, mais discreta. O patchouli cresce a cada minuto que evolui, juntando à um toque resinoso. Seu final é bem hiponga, quase dá vontade de pedir paz e amor, colocar uma boca se sino, faixa no cabelo e começar a tocar um violão em um acampamento.

Bjsss de K-Pax


Fontes: fragrantica
Fotos: google

domingo, 30 de março de 2014

Eau de Floresta - Perles de Lalique

(resenha postada no meu perfil pessoal do facebook em Janeiro de 2014)





Com o calor que anda assolando a gauchada e estados costumeiros ao frio...a única coisa que pensei em "vestir", perfumicamente falando, foi algo que me lembrasse uma selva verde e fresca depois de uma chuva refrescante.

Bem, não tinha como não pensar em Perles, de Lalique.

Resumão: Lalique é uma casa francesa, tem belíssimos perfumes e não é tão conhecida pela maioria das pessoas. Não é nicho, mas por ser mais..."discreta" no marketing, acaba sendo alvo de pessoas que se aprofundam um pouco mais dentro da perfumaria. Tenho o Lalique Le Parfum, e esse merece um "resenhaço"...mas só pode no frio. Verão, nem pensar.

Segundo a descrição do nosso amado Fragrântica,  Perles é a essência da feminilidade, da mulher.

Perles pode ser tudo, MENOS feminino. 

Aliás, nunca senti (no meu parco conhecimento) perfume mais compartilhável, quase masculino, dentre os femininos. Talvez o Cabochard, de Grés, que também é uma femme-macho. 

Ele não tem NADAAA doce. Nada. Fragrântica diz ter rosa na pirâmide, mas na minha pele ela desaparece, nada de flores. Nada.

Classificado como Chipre Floral. Vamos à pirâmide.
Saída: Rosa
Corpo: Pimenta preta, Íris
Fundo: Patchouli, Raíz de Orris, Musgo de Carvalho, Vetiver, Madeira de Cashmir

A minha impressão é:


Floresta anteriormente quente, logo após a chuva, com aquela brisa que refresca e aplaina o calor. Verde...verde...refrescante...um musguinho junto, meio úmido.



É um aroma que perfaz a natureza verde, simples e viva. Na minha pele, ok?

Aqui, o musgo de carvalho (que em certos perfumes datados é pesado) é o próprio, tenro, completamente verde, como aquela penugem viva sobre um tronco de madeira nobre (no caso, madeira de cashmir..não, nunca senti, isso está descrito na pirâmide) É um cheiro limpo, natural, como se você enterrasse o nariz no musguinho da árvore.

Junto disso vem o MENTOLADO. Mas muito mentolado.Não bala de menta (bala é doce). Aqui é mentol puro... (lembrei de um namorado que fez química e me apresentou cristais de mentol...que ainda eram mais doces, e lembravam Halls preto) não sei dizer se é o patchuli, vetiver, a pimenta ou os três. O bichinho é tão refrescante que certas vezes que usei no inverno (sim, me apaixonei por ele em pleno frio) ouvi familiares, ao sentir o meu "rastro" dizer...."alguém passou gelol " ?E isso aconteceu mais de uma vez.

Em minha pele ele é completamente linear, como começa termina, não observo evolução nenhuma. E apesar de seu aspecto fresco, dura no mínimo 6 horas, estupendo para um perfume com notas tão leves.

Pois hoje, nesse calor surreal para uma pobre gaúcha que aprendeu a amar o frio....só pensei nele e no seu frescor masculino. Aliás, nem sei como o nomeiam feminino....mas é de uma simplicidade e naturalidade que....parece perfume de nicho. Qualquer pessoa que esteja acostumada aos perfumes mais comerciais provavelmente vai torcer o nariz ao sentir.

Dê uma chance. O próprio frasco mostra. Branco, reto, de linhas simples. Como ele mesmo se mostra.