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quarta-feira, 25 de março de 2015

Jasmim avec Patchouli: Resenha do Yasamin Amberfig






Hello Amores perfumados!


Pois eu, no meu hiato blogueiro, fiquei quase 2 meses sem postar. Crises (financeira, do país, política, essas coisas) me impediram de escrever. E como eu não consigo ser sucinta e me utilizo muito de intuição, memórias e emoção para escrever, não deu. Nem participar das mesas redondas blogueiras. Humor bélico unido à probleminhas geram textos ruins, né vero? Melhor ficar quieto.

Pois então "misinfi" resolvi que deveria recomeçar a resenhar. E o primeiro da lista era o Belo e icônico Yasamin. 

Nessas horas ter amizade com o criador da fragrância é interessante pra saber como o néctar foi feito. As motivações da pessoa. E ele conseguiu. 

Bem, notinhas descritas:  Saída de Jasmin Sambac, baunilha de madagascar e Fava tonka brasileira; Corpo/coração Patchouli e na base Benjoin do Sião. 

Vamos fazer um story line?

Você está sentado em um banco de madeira úmida em uma praça ou campo inóspito. Acima, uma árvore de jasmins, alguns desmaiados (tapete de jasmins, praticamente).

O tempo é úmido, há aroma de terra molhada no ar. O jasmim intoxica seus sentidos.
Em segundos, cai uma chuva torrencial. Você não tem pra onde correr então....fica ali, levando agulhadas dos pingos e percebe o aroma mudar. A madeira do tronco da árvore, do banco da praça e dos jasmins moribundos caídos na grama. Jasmim está ali, abaunilhado mas há algo masculino pungente. Madeiras protegendo uma flor tão delicada. É o patchouli. Mas não o patchouli conhecido na perfumaria designer. É um patchouli escuro, navalhado, quase como um homem cortando madeira com um machado. O resultado desse lado brucutu?

Aroma de chocolate amargo. Patchoulis tem diversos aromas e facetas, mas o Patchouli "Chuck Norris" o mais selvagem, em sua evolução, amansa para um aroma de chocolate. Quer coisa mais linda? Guarre amor pelo Patchouli, há muitas facetas nele. Angel não seria tão famoso se não fosse um patchouli afiado pra amansar as notas ultra doces, né vero?

Então, a saída mostra um jasmim pungente, quase como se tivesse as folhas da flor maceradas junto. Com o nariz na pele consigo sentir o seu lado carnal, indólico, mas é bem sutil. Já a aura que ele cria ao redor da pessoa que o habita é de um jasmim orvalhado, límpido e cremoso.

Algum tempo depois, exalando como se não houvesse amanhã, a baunilha de junta no abraço com a flor. Na minha pele essa fase é breve pois temos uma nota...digamos, ciumenta aqui: o Patchouli. Chega chegando para tomar o jasmim para si. 

Sou amante fervorososa das notas de Fava Tonka e Benjoin mas quase não os sinto. O aspecto amendoado-baunilha da tonka e a madeira doce e defumada do Benjoim quase desaparecem na grandiloquência do Jasmin inicial (seria quase um Jasmin "à la Julliete has a Gun. Mulher, doce, mas perigosa". ) e a virilidade de um patchouli escuro que pouco vejo ser utilizado hoje em perfumes.

Vejo no Yasamin  a perfeita personficalção de masculino-feminino, In e Yang, Começa com aquela mulher opulenta ...e termina com ela no colo de um homem másculo...que quase empurra as demais notas por ciumeira, quer o Jasmim só pra si. Esse perfume é quase uma historia obsessiva de amor do patchouli pelo Jasmin. 

Resultado: sublime. Exala fortemete pelo menos 3 horas e permanece na pele por mais de 10 horas (isso que sou branca feiro verme de madeira, pele seca, nada dura na pinha pele.


Beijo especial no David Magalhães. 


PS: já pedi um exclusivo, haverão outros. 

Bjxx de  K-Pax

Fotos: O perfumístico

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Resenha do Jernê: Joop Le Bain



Ahhh, Le Bain...
Iremos adentrar e esmiuçar um perfume que é um dos meus top 5. Sim, mesmo entre perfumes mais caros, raros, nichos, ele é essencial no meu armário. 

Acredito que a dois anos atrás, em uma troca com a Li do Parfuns et Poesie, ainda no Orkut, a mesma me apresentou vários perfumes dentre os quais desejei imediatamente. E Le bain estava entre as amostras. Na época era descontinuado, raríssimo de se encontrar, no Brasil nem fumaça dele. Pois consegui pelo ebay, a muito custo....e plim, 3 meses depois o bichinho retorna ao Brasil e, pasme, barato! Joop, eu te amo!

Como ele é um dos que mora no meu coração, nunca o consegui resenhar. Eu travo, literalmente. Um perfume mutante, muda muito conforme o tipo de pele que deita.  Pois novamente o querido Jernê nos iluminará com uma resenha estupenda, publicada no Fragrantica. 

Mais um perfume que tive sede o suficiente para procurá-lo e me saciar em sua fonte, por apenas ouvir sobre! Lutei, resisti e vivi Joop! Le Bain passo a passo pela forma mutante como se revela a cada andadura de sua evolução, desde o momento em que ele é empunhado nas mãos, antes mesmo da tampa ser removida, até o último resquício de sua constante modificação assombrosa em contato com pH da pele, esteja ela ácida, neutra ou básica.

Para início de conversa Joop! Le Bain é uma criação conjunta dos perfumistas que criam grandes perfumes para o Grupo Coty, dentre eles estão Michel Almairac, Shopie Labbe, Francis Kurdjian e Michel Girard, profissionais de peso e dotados de muita responsabilidade que atuam no mundo da perfumaria. Sabe-se que Joop! Le Bain é um jovem seguro de si mesmo, já têm mais de 23 anos de idade, caminha com suas próprias pernas e dá o recado que tem em seu caráter de forma contrastiva, dependendo do lugar por onde passa/escorre. 

Há um conglomerado polissêmico nas notas que compõem este estrambólico perfume... Sua saída é um mar de cítricos que nos leva a uma cerimônia de casamento eminentemente “hippies”, mas ao mesmo tempo você consegue se perceber num passado um pouco mais distante com alguns Aldeídos flutuantes e borbulhados por uma sensação de “quero mais vida”; sua evolução até seu coração parece retardar ou nem existir por conta da inconstância que o perfume reflete sobre a pele, horas parece estar lá, horas parece que você não está usando nada e horas parece que você está com uma bomba, sem seguir uma sequência lógica; suas Rosas são orvalhadas tal como no Chloé EDP, só que elas se tornam viris quando levam uma paulada de Cedro bruto e caem num jardim de Jasmim-Criança e se encontram com Sândalos-Médicos que vão lhe erguer e tratar, a fim de encaminhar ao seu ápice “camaleônico”, ou seja, sua base.

ingredientes do mimoso
 Sua despedida é duradoura e sensacional porque as Rosas já curadas são enfincadas num cordão de Favas Tonka amarradas aos talos de Patchulis ressecados pelo sol da meia-noite lá do Norte da Noruega, e todas essas amarras são embebidas por leves aspersões de Baunilhas crocantes juntadas a Almíscar vegetal; uma combinação hiper diferenciada e que deu certo, por não resultar em algo estridente que não se possa usar, mas num aroma bem elaborado que para além de mutante consegue se comportar e ser cerce com presença e prestígio. A fixação é acima de 7 h tranquilamente e sua silagem oscila a ponto de desaparecer completamente, em alguns momentos, definitivamente Joop! Le Bain é um perfume para ser apreciado com calma e persistência, senão... #oremos!
Dedico esta resenha ao meu Nobre Amigo Rodriguez e a minha eterna doçura CarlaB79 (euzinha, no Fragrantica)

É ou não é de babar? Fico sem palavras, não tenho esse brio poético para escrever. Dá até invejinha, rsrsrs.  Gosto tanto deste perfume que o próprio Jernê me chamada de Carla Le Bain. 

Outros Blogs já falaram dele. Reiterando, todas diferem entre si. Em algum momento terei coragem de resenhá-lo. Dê uma passadinha no Village Beauté, A louca dos Perfumes e no Perfume na Pele.

Bjxxx de K-Pax

sexta-feira, 4 de julho de 2014

O Galo da madrugada: Resenha do Kokorico


Como falar de Jean Paul Gaultier sem pensar também em Thierry Mugler? Simplesmente porque ambos não estão NEM AÍ para o que pensam de suas criações e fazem o que querem. Obviamente que a indústria visa o lucro, suas marcas são designers conhecidas e procuradas, logo, uma certa "travada" da empresa deve acontecer ante à criatividade do nariz que produz o perfume (o que, teoricamente, não acontece nas marcas de nicho, onde as loucuragens perfumísticas ganham outros andares). Porque será que gosto tanto de suas criações? Quem me acompanha nas resenhas certamente sabe o porque.

Mesmo com todos esses fatores, ainda conseguem inovar. No caso aqui, o "infant Terrible" Gaultier resolveu jogar as penas para o alto, colocar os pés sobre a mesa, puxar um charuto de chocolate e esperar a reação da platéia.

Esse Gaultier.... olha a ousadia do cara em colocar o grito do galo como nome do perfume. E o que dizer do frasco? Esse rosto negro, com nariz adunco e o nome fatítico praticamente grafitado. E a surpresinha?

De ladinho temos o corpitcho do famoso Le Male. 


Le Male e Kokorico. Semelhança NÃO é mera coicidência. 


Tudo leva a crer que o dito cujo é a imagem do ultra macho, com "bigodón", peito peludo e ar de Magnum.  Será?

Kokorico foi criado em 2011 por uma duplinha de peso: Oliver kresp, cujas dezenas de criações englobam Noa, Light Blue, Midnight Poison, Glória (ó Deus, descontinuá-lo foi um dos maiores erros da perfumaria)Ange ou Demon, Kenzo Amour....é tanta coisa boa que levaria um artigo inteiro falando disso. O outro criador é Annick Menardo, responsável por Hypnotic Poison, Fuel for Life Femme, Bvlgary Black, Xeryous Rouge, Hypnose....bom, sem comentários sobre esse estupendo nariz, né vero?

Pensamos então, "lá vem coisa boa". Olha, impressão é pessoal e varia muito. Ele é do tipo ame ou odeie. Ou ame as vezes e odeie as vezes (acontece comigo as vezes, adoro o perfume em um dia e no outro detesto...mulheres).

Chega de encher linguiça e vamos às notinhas do galinho:
Saída: Folha de figo
Corpo: Patchouli, Cacau
Fundo: Vetiver, Cedro da Virgínia.

Vamos colocá-lo em uma cena que se adeque?


Você é um homem na na casa dos 30, ou quase isso. Elegante, austero, veste um terno bem cortado, cabelo "displicentemente" jogado em alguma posição interessante que permaneça o dia inteiro na mesma forma (amor ao gel, esse lindo). Ar superior, sabe o que é e afirma isso. Ainda na empresa, pensa em estender a noite para terminar algumas pendências. Olha pela enorme janela do escritório. A noite está fria, convida para o aconchego. E, quem sabe, uma esticada na noite mais tarde.

Chegando em casa, vai até a mesa onde há muitas garrafas de bebidas. Escolhe uma garrafa de Baileys, sai com a mesma na mão, dando goles no gargalo. Olha para a sala. O frio arrepia a pele, a lareira ampla e moderna jaz negra, vazia, pedindo calor.

Imagina a lareira sem o fogo. 
Decidido, retira o paletó, gravata e camisa, as atira sobre o sofá e vai em direção à garagem. A alguns dias vinha armazenando toras de madeira para a lareira, no entanto, as mesmas se apresentaram grandes demais. Sem pensar, observa o machado rústico pendurado à parede. Pega uma das toras e a leva para fora, no tempo, abaixo de de uma árvore frondosa do pátio. O aroma de folhas verdes é presente junto à umidade do ar. Eleva o machado e com toda a força o enterra sobre a madeira endurecida, aos poucos conseguindo pedaços menores. Suor escorre devido ao esforço. Toma mais uns goles da bebida, e segue no trabalho até conseguir uma boa quantia de lascas. 

Volta para dentro de casa, apruma os pedaços na lareira e alimenta o fogo. Senta calmamente sobre o sofá, pouco se importando se o suor ou a terra de seus sapatos sujem o ambiente. Garrafa de licor na mão e olhos hipnotizados pelo bailar crepitante das chamas. 

A saída mostra verdadeiramente um cacau alcólico. Adocicado, quase amendoado, parece mesmo com o Licor Baileys, que é de Cacau com baunilha. Ou até um licor de amêndoas (tipo o Frangélico) acrescido de puro cacau. Essa saída cremosa/alcólica perdura por um bom tempo.  De leve, vejo a folha de figo abrir a porta do recinto de mansinho, receosa, não querendo aparecer muito, já que o cacau é um pouco narcisista e não aceita alguém além dele no palco. O lance aqui é ser sutil. O patchouli é outro narcisista, toma conta de tudo mas, seguindo as instruções da querida folha de figo, entra quieto. Peito aberto e olhar altivo, mas sem alarde. E assim..... há o domínio patchulinesco. Como essa nota adora uma outra chamada vetiver (aquela gramínea aparentemente inofensiva mas vital para perfumes masculinos), temos então um palco feito de cedro, coberto de vetiver com um patchouli dançando ao lado do cacau. O conquistou aos poucos e ambos brilham em uma cama verde e seca.

É, hoje eu estava bem inspirada, há dias que acontece.
Como eu o classificaria? Na vera, a entrada de Kokorico é quase feminina, cacau, quase chocolate, adocicado (não doce), quente e cremoso. Como um homem moderno, cabelo aprumado, elegante, quase andrógeno. A evolução mostra a sua face masculina, como aquele que se despe e quebra toras de madeira ao relento. 

Muitas pessoas que o conheceram disseram que ele parece uma quimera de muitos outros. Não discordo, realmente! Mas....o vejo exatamente como a situação que pintei lá em cima: Titio Gaultier faz uma loucuragem misturando vários conhecidos, fazendo uma viagem em poucas notas e senta para observar o gritedo do pessoal.

Pena que o grito não foi tão forte como deveria, ele passou um pouco esquecido entre os lançamentos. Talvez o excesso de excentricidade na divulgação ou até o próprio nome. Pois eu entrei no time dos que amaram. Pela ousadia e também por dar uma de "Tarantino" perfumístico e tirar sarro da cara de todo mundo. Cria algo que lembra muitos, faz uma evolução que une mulher e homem e coloca um nome weird. Começa mimoso e termina quase um Chuck Norris. 

Como não amar????

Vamos enriquecer a experiência? Dâmaris e Henrique "Rick" Perrella já falaram dele no 
Village Beauté e no Perfume do Dia (Rick, pecado não ter continuado com esse blog estupendo!!!).

Pra vcs, mais uma imagem do bichinho:


Menção honrosa ao Daniel Ianegitz Vieira, no qual desapegou dele e eu peguei.

Bjssss de K-Pax.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Psicodelizando com Karma, Lush


Hoje não iria sair resenha nenhuma, não estava sentindo inspiração para escrever algo digno de nota. É, sou dessas.

Conheci Karma somente hoje mas sei da sua fama a muito tempo. Categorizado como diferente e único, sempre tive curiosidade nele. Aliás, na Lush, marca de cosméticos do Reino Unido conhecida pela exuberância, minimalismo, eco-friendly e contra testes em animais. 

Novamente, quem me cedeu amostra dele foi a Cirlei Inn (obrigadíssima!!!). Já provou um perfume e após colocá-lo na pele faz esta expressão aqui?
zoinho arregalado
Classificado como cítrico aromático, compartilhável, tem as notas:
Saída: laranja, lavanda, citronela
Corpo: pinheiro, limão siciliano, cassis
fundo: patchouli, resina de abeto, elemi, canela

A historinha hoje vai ser um pouco psicodélica, já aviso.

Você está em uma competição. Campo aberto, muitos pinheiros ao redor. Pronto? É dada a largada, você corre e mergulha em uma piscina repleta daqueles limpadores de limão que utilizamos na faxina de casa. E dos bons, cheiro refrescante de lima-limão.  


Imagine se fossem menores e azuis
Sai desta piscina e ainda molhado entra em outra, mas agora transbordando de jujubas de anis, aquelas azuis.  Sai com certa dificuldade e imagina que deve estar parecido com aquele homem da capa de um dos álbuns do Pink Floyd. Mas precisa correr!


À sua frente se materializam grandes potes acrílicos repletos de sabonetes brancos. Você Agarra dois deles e se dirige para onde estão os pinheiros. Esfrega o sabonete no tronco dos mesmos. 

Terminada a tarefa, observa uma cama repleta de ervas, patchouli predominando e dando aquela aura hippie dos anos 70. Se joga nela e ali relaxa deixando-se inebriar pelos aromas à sua roda e também na situação escalafobética que acabou de passar.

Meio sem pé nem cabeça, mas ele me fez sentir assim! Um dos perfumes mais originais que já tive contato. O fato de ter me surpreendido foi que dificilmente gosto de cítricos, ainda mais com aquela pegada de pinho. Mas Karma é diferente. Estranho. Exótico. Uma viagem olfativa onde você se confunde com o próprio aroma.

Não é doce, apenas a saída me remeteu ao cheiro das jujubas de anis. Seria da mistura de suas notas, do cassis? Não sei dizer. Sua evolução é vem "pinhosa", citronela bem presente. Sinto mais limão que propriamente laranja. A canela, que normalmente gosto muito não percebi de todo, mais discreta. O patchouli cresce a cada minuto que evolui, juntando à um toque resinoso. Seu final é bem hiponga, quase dá vontade de pedir paz e amor, colocar uma boca se sino, faixa no cabelo e começar a tocar um violão em um acampamento.

Bjsss de K-Pax


Fontes: fragrantica
Fotos: google

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Chocolatando-se com Angel Taste of Fragrance (Le Gout du Parfum)




É claaaaro que um Thierry Mugler iria aparecer  na lista dos perfumes chocolatosos. É polêmico falar sobre os Mugler simplesmente porque todos são perfumes limítrofes, quase borderline. Ou você ama ou você odeia. Não existe meio termo com eles.

O meu caso é de amor eterno. Conheço e tenho/tive vários da casa e TODOS caem muito bem para o meu gosto pessoal, mesmo sendo bem diferentes entre si.

Angel, o mais famoso, criado em 1992 é amado, odiado, copiado à exaustão (existe até papel higiênico com aroma de Angel). Tem pouco mais de 20 anos e continua atualíssimo. É tido como o pai dos perfumes gourmands (apesar de achar que o título deveria ser de Guerlain Shalimar, de 1925) simplesmente porque iniciou a era dos perfumes "salivantes", inspirados em doces ou alimentos quase proibitivos. A ousadia de Angel se deve de sua belíssima e complexa pirâmide olfativa. Há nela frutas de todos os tipos, algodão doce, mel, patchouli terroso, âmbar, flores, muito caramelo, chocolate amargo e baunilha. 

Pois bem, se o original já é potentíssimo e doce, teria como salientar ainda mais o chocolate já presente???

Sim, e como!!!

Angel Taste of Fragrance (ou no francês, Le Gout du Parfum) quer dizer simplesmente "O gosto da Fragrância). É um flanker, um perfume em edição limitada, do Angel original. No caso, é o Angel tomando banho de chocolate.  

Posso descrever Angel com imagens:


Angel + chocolate amargo de boa qualidade = Angel Taste

Na verdade, não somente chocolate amargo, mas cacau em pó também. Continua sim muito doce (afinal, Angel o é) mas o chocolate amargo equilibra a doçura do caramelo.

Angel taste, à meu ver, é um dos chocolates mais perfeitos da perfumaria, de uma beleza sem igual. É a experiência de se banhar de Angel e mergulhar em uma piscina de chocolate amargo derretido. Impossível não ter vontade de se morder ao senti-lo na pele. 

Quer enriquecer a sua experiência com o Angel taste? Acompanhe as estupendas resenhas da Dâmaris, do Village Beauté aqui e da Diana, A Louca dos Perfumes aqui. Leia o primeiro post do Chocolatando-se aqui. 

Apesar de ser um perfume descontinuado (comprei o meu no ebay, em 2012), tem para vender aqui na terra Brasilis aqui(não estou recebendo nada pela indicação viu gente, mas se alguém estiver curioso e quiser investir, nada como dar uma referência). 

Bora se untar de chocolate+caramelo ???
Bjsss de K-Pax

domingo, 30 de março de 2014

Eau de Floresta - Perles de Lalique

(resenha postada no meu perfil pessoal do facebook em Janeiro de 2014)





Com o calor que anda assolando a gauchada e estados costumeiros ao frio...a única coisa que pensei em "vestir", perfumicamente falando, foi algo que me lembrasse uma selva verde e fresca depois de uma chuva refrescante.

Bem, não tinha como não pensar em Perles, de Lalique.

Resumão: Lalique é uma casa francesa, tem belíssimos perfumes e não é tão conhecida pela maioria das pessoas. Não é nicho, mas por ser mais..."discreta" no marketing, acaba sendo alvo de pessoas que se aprofundam um pouco mais dentro da perfumaria. Tenho o Lalique Le Parfum, e esse merece um "resenhaço"...mas só pode no frio. Verão, nem pensar.

Segundo a descrição do nosso amado Fragrântica,  Perles é a essência da feminilidade, da mulher.

Perles pode ser tudo, MENOS feminino. 

Aliás, nunca senti (no meu parco conhecimento) perfume mais compartilhável, quase masculino, dentre os femininos. Talvez o Cabochard, de Grés, que também é uma femme-macho. 

Ele não tem NADAAA doce. Nada. Fragrântica diz ter rosa na pirâmide, mas na minha pele ela desaparece, nada de flores. Nada.

Classificado como Chipre Floral. Vamos à pirâmide.
Saída: Rosa
Corpo: Pimenta preta, Íris
Fundo: Patchouli, Raíz de Orris, Musgo de Carvalho, Vetiver, Madeira de Cashmir

A minha impressão é:


Floresta anteriormente quente, logo após a chuva, com aquela brisa que refresca e aplaina o calor. Verde...verde...refrescante...um musguinho junto, meio úmido.



É um aroma que perfaz a natureza verde, simples e viva. Na minha pele, ok?

Aqui, o musgo de carvalho (que em certos perfumes datados é pesado) é o próprio, tenro, completamente verde, como aquela penugem viva sobre um tronco de madeira nobre (no caso, madeira de cashmir..não, nunca senti, isso está descrito na pirâmide) É um cheiro limpo, natural, como se você enterrasse o nariz no musguinho da árvore.

Junto disso vem o MENTOLADO. Mas muito mentolado.Não bala de menta (bala é doce). Aqui é mentol puro... (lembrei de um namorado que fez química e me apresentou cristais de mentol...que ainda eram mais doces, e lembravam Halls preto) não sei dizer se é o patchuli, vetiver, a pimenta ou os três. O bichinho é tão refrescante que certas vezes que usei no inverno (sim, me apaixonei por ele em pleno frio) ouvi familiares, ao sentir o meu "rastro" dizer...."alguém passou gelol " ?E isso aconteceu mais de uma vez.

Em minha pele ele é completamente linear, como começa termina, não observo evolução nenhuma. E apesar de seu aspecto fresco, dura no mínimo 6 horas, estupendo para um perfume com notas tão leves.

Pois hoje, nesse calor surreal para uma pobre gaúcha que aprendeu a amar o frio....só pensei nele e no seu frescor masculino. Aliás, nem sei como o nomeiam feminino....mas é de uma simplicidade e naturalidade que....parece perfume de nicho. Qualquer pessoa que esteja acostumada aos perfumes mais comerciais provavelmente vai torcer o nariz ao sentir.

Dê uma chance. O próprio frasco mostra. Branco, reto, de linhas simples. Como ele mesmo se mostra.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Angel Eau de Toilette (Angel Comet) - O Angel astral.

Resenha de Hoje: Um Mugler para fazer as pessoas fecharem os olhos ao sentir você passar, assim como o rastro vívido de um cometa. 

Angel Eau de Toillete. Ou Angel Comet, devido ao seu frasco peculiar.



Arquivo pessoal
Titio Mugler, eu sou sua fã, e sou fã "messalina", porque não consigo desgostar de nenhum dos seus queridos. São todos muito diferentes e todos bombásticos. Não é perfume para quem odeia "polemidades". Aliás, sou uma pessoa instrospectiva mas adoro uma rebeldia velada, acho que Thierry Mugler reluz tal sensação.



Angel tem uma particularidade na minha pele: não se desenvolve notadamente gourmand, as notas de chocolate e caramelo apenas dão aquele doce hesperídeo, suculento, mas não sobressaem.

Bem, sabe qual é o cheiro que realmente sobressai dos "Angels" em minha pele???? De uma florzinha que tinha no pátio da minha avó e chamava um enxame de abelhas durante a floração. Ela tem vários nomes, eu nem sabia qual, precisei pesquisar até encontrar. Cambará, Camará, Lantana. É um arbusto, parece mini-buquês de hortênsias. Seu aroma seria uma mistura de flores maceradas+mel+ uma pitadinha de rum. 


Lantana-cambará
Esse aspecto floral (da Cambará) é fechado e mortiço no Angel original EDP (não estou dizendo que isso é ruim..é apenas a saída da fragrância), mas aberto e vibrante no Angel EDT. Tem quase um cheiro veranico, solar. Provavelmente é o ácido do limão fresco+pimenta vermelha que provocam tal sensação, sinto "picância", mas não consigo desmembrar muito bem as notas.


Aos poucos vai mudando, as notas vem em "combos", unidas em sua magnitude. Sinto aquela reunião de patchuli+âmbar+cedro ,muito presentes. Aliás, qualquer Angel tem um belo patchuli para quebrar a sua doçura pungente. Quem odeia essa nota deve fugir dele. Não sinto almíscar (musk) isoladamente, até porque não o considero um perfume confortável, de abraço, de roupa quentinha. Nenhum Mugler é, na real.

Estou usando o Angel EDT para trabalhar, até nesse calor horroroso. Mas...a tia aqui por acaso trabalha no ar condicionado, então, posso usar até uma bomba como Rumba - em gotículas -  que não mato ninguém. 

Angel Comet/EDT: para quem não suporta a intensidade doce do Angel, mas adora a longevidade, rastro e os comentários que ele provoca. E para quem gosta do Angel Innocent, ele seria um híbrido entre este e o EDP.

Tu nunca passa incólume à um Mugler.Ou as pessoas vão fissurar e perguntar...ou vão torcer o nariz. No caso aqui do RS, os gaúchos nada falam quando não agrada, é cultural na discrição, mas sei que em outros estados as pessoas tem a opinião sem delongas. Eu até preferiria isso!


PS: Percepção é pessoal, individual. O perfume se comporta assim na minha pele, na sua pode diferir bastante. Aconselho provar antes! Esta resenha também foi publicada no www.villagebeaute.blogspot.com.br .

Bjsss de K-Pax